O espelho refletia-me superficialmente. Fizera um terço de hora que eu estava no banheiro. Após jogar água em minha face, paralizei as ações e passei a observar assiduamente as gotas que iniciavam a escorrer na base de minha testa e pingavam lentamente ao chegar em minha mandíbula. Algumas delas, formavam um rio seco de glória em meus lábios.
Passei uma das mãos em meus cabelos ao mesmo tempo que a outra cubria meus olhos. Com a brecha formada pelos dedos eu os via piscarem como os ponteiros do antigo relógio. Deixei as mãos soltas e fiz meu olhar cruzar-se consigo mesmo. Sem perceber, fui encostando-me ao reflexo. Gradativamente deixando o vago momento fluir. O chuveiro mais ao canto começou a gotejar. Minhas pálpebras seguiram tal movimento produzindo um som que remotava-me à imagem de um porão. E assim continuei até o inesperado colapso ocorrer: mergulhei em meus próprios e infinitos olhos. Caminhei por dentro de meu corpo. Revi cenas esquecidas nas codificações de meu sangue. Choquei-me então com dois caminhos. Em uma via percebia ligeiramente uma pigmentação de luz, enquanto na outra não conseguia distinguir nada. Foi na última que lançei meus membros. Terrivelmente senti nos mais profundos vales de meu ser as páginas de inquietações de minha adolescente vida. Com os segundos a sensação queria me esgotar, tornar-me mais inerente que a ausência de palavras. Nadei até a ponta das vias guiado por uma propriedade natural. Adentrei no ponto de luz e vi um livro com aparência de um baú. No instante em que o alcancei, uma bomba explodiu externamente.
Alguém batia na porta do banheiro. Fui sugado pelo ambiente. A impressão correlata era de que cometia um auto-flagelamento. Retornei à origem bucólica. Desfiz meu dúbio e surreal nirvana ao abrir meus olhos. Nesse exato segundo meu reflexo mostrava as expressões de um profundo e mudo grito. Respirei, enxuguei o rosto e abri a porta. Ele adentrou, e eu saí da inércia inconstrutiva posto que a experiência particular retirou-me o ócio e me pôs a transcrever estas curtas linhas.
domingo, 29 de junho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Sentimento Incógnito
Para Amy Winehouse é "um fato resignado". Em contra-ponto Christina Aguilera canta que "é o necessário para salvar-se de si mesmo" e Marisa Monte declara: "Não se trata de um jogo de azar". Na Bíblia foi descrito como um livrador de temores". Numa visão bem mais profunda Clarice Lispector sabiamente afirmou que "é mais inerente que a própria carência". E para mim, professo que o amor é uma transcriptase reversa* benígna.
Como tal ele destorneia as funções naturais: nos faz querer achar a fuga campestre no mar agitado, buscar nos seios da solidão o conforto aguardado bem como uma contínua compreensão de seus mistérios na reclusão.
Todavia, tal processo retrógado é benéfico, necessário, preciso. É um golpe da graça que alicerça de maneira consistente nosso mundo. Com suas variadas formas, adornos e direcionamentos é capaz de dominar até o mais frio e seco humano. Melhor dizendo, trata-se de um sentimento que engloba todas as espécies de terráqueos em suas particularidades.
Certo dia fui categoricamente questionado se já havia amado. Eu respondi que amo todos os dias. Quando minha alma entra em sintonia com outra através das palavras-a força cinética das relações- ou mesmo através de sorrisos, quando estou em contínuo contato com minha família, com meus amigos, quando afago uma criança, compreendo um animal, enxergo um humano: estou amando. Mas eu tinha razão que a pergunta se referia ao sentido carnal. Agora confesso que nesse ponto várias vezes já obti como a maioria de nós o sentimento que talvez seja o mais incógnito pela sua efemeridade e normalidade: a paixão: eis a virose sensível.
Tenho o dissernimento de que viver sem amor em sua complexidade não é vida. Enquanto eu tiver razão de que existe amor não ousarei em desistir, pois é como diria Machado: "o modo, pouco importa. O essencial é que saibamos amar"!
*Termo biológico: enzima que caracteriza os retrovírus e permite a função desordenada do sistema.
Como tal ele destorneia as funções naturais: nos faz querer achar a fuga campestre no mar agitado, buscar nos seios da solidão o conforto aguardado bem como uma contínua compreensão de seus mistérios na reclusão.
Todavia, tal processo retrógado é benéfico, necessário, preciso. É um golpe da graça que alicerça de maneira consistente nosso mundo. Com suas variadas formas, adornos e direcionamentos é capaz de dominar até o mais frio e seco humano. Melhor dizendo, trata-se de um sentimento que engloba todas as espécies de terráqueos em suas particularidades.
Certo dia fui categoricamente questionado se já havia amado. Eu respondi que amo todos os dias. Quando minha alma entra em sintonia com outra através das palavras-a força cinética das relações- ou mesmo através de sorrisos, quando estou em contínuo contato com minha família, com meus amigos, quando afago uma criança, compreendo um animal, enxergo um humano: estou amando. Mas eu tinha razão que a pergunta se referia ao sentido carnal. Agora confesso que nesse ponto várias vezes já obti como a maioria de nós o sentimento que talvez seja o mais incógnito pela sua efemeridade e normalidade: a paixão: eis a virose sensível.
Tenho o dissernimento de que viver sem amor em sua complexidade não é vida. Enquanto eu tiver razão de que existe amor não ousarei em desistir, pois é como diria Machado: "o modo, pouco importa. O essencial é que saibamos amar"!
*Termo biológico: enzima que caracteriza os retrovírus e permite a função desordenada do sistema.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
A Mosca.
Tudo parecia imóvel. As árvores, galhos, pessoas, o ar... parecia que uma cápsula invisível e incolor de inércia tomava conta do público lugar.
Até mesmo um jovem sob efeito químico não conseguia adquirir do ambiente o movimento normal.
Eu estava paralisado em meio ao tudo que nada transmitia.
Um calor incomum no início de noite esteve característico.
Enquanto eu observava,de camarote natural, que algo sério ocorria com o jovem, uma mosca completou seu ciclo e caiu em óbito no meu papel.
O calor excedia. E eu, perplexo, observava a minúscula ex-vida abaixo de meu nariz.
A complexidade que aquilo me proporcionou inundou o momento de memórias e interrogações, mas o movimento ainda não caminhava ao exorbitante.
Contudo, o banco começou a passar ao meu corpo certa umidade: uma explosão sensorial. O leve frio adentrou em minhas costas. Ao redor, a brisa começou com sua bucólica ação. A mosca vôou sem vida se perdendo entre os quase infinitos grãos de areia.
Tive uma overdose inexplicável. Mas uma bem diferente daquele jovem que carregado foi pelos encapados amigos.
Foi então que em minha frente passava uma bípede com seu filhote. Aquela pequena nova vida aprendia os caminhos da terra. E eu me lembrei da mosca que conhecera morta minutos antes. O vento bateu em minha mente me levando a compreender que este é um ciclo constante.
Olhei as horas. Havia perdido a noção do tempo. Levantei e andei um pouco no parque.
Enquanto eu sonhava com as letras próprias divulgadas fora dali, tive a certeza de que a mosca me ensinou algo tão singelo e profundo como a doce necessária dor que é o amor.
Até mesmo um jovem sob efeito químico não conseguia adquirir do ambiente o movimento normal.
Eu estava paralisado em meio ao tudo que nada transmitia.
Um calor incomum no início de noite esteve característico.
Enquanto eu observava,de camarote natural, que algo sério ocorria com o jovem, uma mosca completou seu ciclo e caiu em óbito no meu papel.
O calor excedia. E eu, perplexo, observava a minúscula ex-vida abaixo de meu nariz.
A complexidade que aquilo me proporcionou inundou o momento de memórias e interrogações, mas o movimento ainda não caminhava ao exorbitante.
Contudo, o banco começou a passar ao meu corpo certa umidade: uma explosão sensorial. O leve frio adentrou em minhas costas. Ao redor, a brisa começou com sua bucólica ação. A mosca vôou sem vida se perdendo entre os quase infinitos grãos de areia.
Tive uma overdose inexplicável. Mas uma bem diferente daquele jovem que carregado foi pelos encapados amigos.
Foi então que em minha frente passava uma bípede com seu filhote. Aquela pequena nova vida aprendia os caminhos da terra. E eu me lembrei da mosca que conhecera morta minutos antes. O vento bateu em minha mente me levando a compreender que este é um ciclo constante.
Olhei as horas. Havia perdido a noção do tempo. Levantei e andei um pouco no parque.
Enquanto eu sonhava com as letras próprias divulgadas fora dali, tive a certeza de que a mosca me ensinou algo tão singelo e profundo como a doce necessária dor que é o amor.
domingo, 20 de abril de 2008
Não Está Lá
Tinha acabado de ouvir os aplausos quando minha mente foi transportada.
Na rua vazia e negra, o colorido se fechou.
Caminhando, vi rastros de alegria no chão. Nas paredes não li nenhuma linha.
A lua que se escondia nas nuvens ainda iluminava os passos.
As vielas obscuras transmitiram ruídos que eu não quis decifrar.
Foi, então, que uma gota fria e densa caiu em minha testa, fazendo-me sentir mais leve.
Aquela água, que parecia adentrar em minha alma, aliviou, por instantes, o meu mundo; e as lágrimas se opuseram contra a cascata.
O parque estava em preto e branco. Andei mais alguns passos. Uma música começara a soar. Eu avistei as escadas. Elas davam numa balsa que me levava a curtas, doces e inalcansáveis lembranças.
Resolvi voltar e continuar. Foi, então, que olhei para a ponte e você não estava no meio a me esperar. Olhei remotamente ao sombrio outdoor e vi tua canção se apagando.
Nesse momento, a realidade declarou: teria sido você uma simples passagem de outono?! Minhas pálpebras bateram e meu coração confirmou que obteve vôos independentes, que se tornaram curtos por ti.
Na rua vazia e negra, o colorido se fechou.
Caminhando, vi rastros de alegria no chão. Nas paredes não li nenhuma linha.
A lua que se escondia nas nuvens ainda iluminava os passos.
As vielas obscuras transmitiram ruídos que eu não quis decifrar.
Foi, então, que uma gota fria e densa caiu em minha testa, fazendo-me sentir mais leve.
Aquela água, que parecia adentrar em minha alma, aliviou, por instantes, o meu mundo; e as lágrimas se opuseram contra a cascata.
O parque estava em preto e branco. Andei mais alguns passos. Uma música começara a soar. Eu avistei as escadas. Elas davam numa balsa que me levava a curtas, doces e inalcansáveis lembranças.
Resolvi voltar e continuar. Foi, então, que olhei para a ponte e você não estava no meio a me esperar. Olhei remotamente ao sombrio outdoor e vi tua canção se apagando.
Nesse momento, a realidade declarou: teria sido você uma simples passagem de outono?! Minhas pálpebras bateram e meu coração confirmou que obteve vôos independentes, que se tornaram curtos por ti.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Vôo Multiétnico
Plano 1. Três parentes tagaleram assuntos diversos enquanto aguardam que seu vôo seja liberado pelo caus que protagoniza a aviação brasileira.
Richelli- Senhores, senhoras, peço perdão mais uma vez pelo atraso e um pouco mais de paciência.(aperta a gravata e sai de cena).
Laura(com tom sarcástico) Paciência?! Mas, qual o problema com o vôo? Tem algum espanhol aqui por acaso?
Marcelo-(acaricia o rosto de Laura)- Querida, não se estresse à toa!
Regina(Interrompendo de supetão)- E vai que tenha um espanhol psicopata por aí, minha prima?!
Laura(rispidamente)- Espanhóis não são iraquianos, árabes ou mulçumanos!
Marcelo- Talvez seja mais válido se preocupar com nossos irmãos de terra...(cortando o assunto) Laura, você devia ficar calma! Observe esta senhora a dois bancos de nós: é de idade, mas permanece serena.
Laura(com desprezo)- Serena e esquisita, meu amor!
Regina( dá uma rápida risada e solta os cabelos) Esquisita mesmo! Parece mais uma remota caricatura de HQ do Maurício de Souza ou um conto chifrim da Clarice Lispector!
Marcelo( com muita indignação)- C-l-a-r-i-c-e chifrim?! Já vi que você não entende nada de literatura, vai ver nunca a leu!
Laura(põe a mão na cabeça)- Isso é falta de assunto? Cadê esse vôo que não sai?! *(Dirige-se à prima) Mas, por que falas isso da grandiosa Lispector?
Regina(falando muito alto) Esqueceu que eu sou grande fã do Hitler?! Abomino judeus!
Marcelo- Mas a Clarice nasceu na Ucrânia e não era judia não! Sem fanatismo, Regina!
Regina(desapontada)- Ah, é? Clarice era boa, então.( pausa) Mas continuo a odiar judeus!
(a velha que de longe observava a conversa, levantou-se com ira em direção ao trio)
Enriqueta-(colocando-se de frente à Regina em alto e ríspido tom): A magnífica Lispector era judia e eu também sou judia, sua bastarda!
A elegante senhora se retira indignada e chama a segurança do local. O silêncio toma conta dos 3 futuros passageiros.
Richelli- Senhores, senhoras, peço perdão mais uma vez pelo atraso e um pouco mais de paciência.(aperta a gravata e sai de cena).
Laura(com tom sarcástico) Paciência?! Mas, qual o problema com o vôo? Tem algum espanhol aqui por acaso?
Marcelo-(acaricia o rosto de Laura)- Querida, não se estresse à toa!
Regina(Interrompendo de supetão)- E vai que tenha um espanhol psicopata por aí, minha prima?!
Laura(rispidamente)- Espanhóis não são iraquianos, árabes ou mulçumanos!
Marcelo- Talvez seja mais válido se preocupar com nossos irmãos de terra...(cortando o assunto) Laura, você devia ficar calma! Observe esta senhora a dois bancos de nós: é de idade, mas permanece serena.
Laura(com desprezo)- Serena e esquisita, meu amor!
Regina( dá uma rápida risada e solta os cabelos) Esquisita mesmo! Parece mais uma remota caricatura de HQ do Maurício de Souza ou um conto chifrim da Clarice Lispector!
Marcelo( com muita indignação)- C-l-a-r-i-c-e chifrim?! Já vi que você não entende nada de literatura, vai ver nunca a leu!
Laura(põe a mão na cabeça)- Isso é falta de assunto? Cadê esse vôo que não sai?! *(Dirige-se à prima) Mas, por que falas isso da grandiosa Lispector?
Regina(falando muito alto) Esqueceu que eu sou grande fã do Hitler?! Abomino judeus!
Marcelo- Mas a Clarice nasceu na Ucrânia e não era judia não! Sem fanatismo, Regina!
Regina(desapontada)- Ah, é? Clarice era boa, então.( pausa) Mas continuo a odiar judeus!
(a velha que de longe observava a conversa, levantou-se com ira em direção ao trio)
Enriqueta-(colocando-se de frente à Regina em alto e ríspido tom): A magnífica Lispector era judia e eu também sou judia, sua bastarda!
A elegante senhora se retira indignada e chama a segurança do local. O silêncio toma conta dos 3 futuros passageiros.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Efêmeras Palavras
Por algum tempo vim criando uma alergia ao sol, mas quero estar pronto pra permitir que os raios de esperança voltem a renascer força em minh'alma. Também passei a permitir que levianas palavras me fizessem criar sentimentos feridos, que resultam em choques inesperados. Duramente percebo que talvez tenho deixado minha essência um pouco de lado e é nesse ponto que quase me torno mais um, vivendo de acordo com a música imposta.
Entretanto,eu, centrado em minha problemática, devo viver minhas letras, e afirmo que o frio que bate em minha pele me torna mais maduro, que as irônicas decepções por mais que modifiquem as sensações, nunca conseguem destruir minhas edificações.
É provável que exista, de fato, um destino imutável. Sem frases soltas ou palavras repetidas, estou determinado a vencer, sempre estive! E não é nessa fase que mudarei.
Quero libertar novamente minha autenticidade como uma mariposa foge do casulo modelar. Necessito realcançar a maiêutica. Repraticar o intelectualismo moral. Continuar firme na busca de minha outra parte. E, além de tudo, escalar com competência essa efêmera vida, fazendo de minha filosofia uma atividade além da doutrina, um vôo além do desafio, uma conquista além da tentativa, um inspirar além do suspiro e sorrisos puros além de amargas lágrimas.
Entretanto,eu, centrado em minha problemática, devo viver minhas letras, e afirmo que o frio que bate em minha pele me torna mais maduro, que as irônicas decepções por mais que modifiquem as sensações, nunca conseguem destruir minhas edificações.
É provável que exista, de fato, um destino imutável. Sem frases soltas ou palavras repetidas, estou determinado a vencer, sempre estive! E não é nessa fase que mudarei.
Quero libertar novamente minha autenticidade como uma mariposa foge do casulo modelar. Necessito realcançar a maiêutica. Repraticar o intelectualismo moral. Continuar firme na busca de minha outra parte. E, além de tudo, escalar com competência essa efêmera vida, fazendo de minha filosofia uma atividade além da doutrina, um vôo além do desafio, uma conquista além da tentativa, um inspirar além do suspiro e sorrisos puros além de amargas lágrimas.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Inquietudes Confessadas
Quero agora contar-lhe poucas letras. Dizer que as marmas explicações talvez estejam amenizando, pois anseio ações.
Entretanto, o repentino entristecer continua a invadir meu estado próprio. Sem aviso prévio, seja no entardecer ou anoitecer. Simplesmente chega. E tudo muda. Muda é a minha dor interna. Assim como a moradia ultra-coletiva grita num silêncio mortal. Eu quero gritar por liberdade, por justiça. Gritos espaçados, mudos, silenciosos.
Mas, é nesse ponto que caio no inseguro e constante meio-termo e, por vezes, deixo que a monotonia e desânimo me atrapalhem. Minhas entranhas sangram cuidadosamente e meus músculos visíveis mostram o preço.
Confesso que venho me relacionando bem com o norte e o leste, que venho gostando de calma e atitude. Companhia e solidão. Amigos e desconhecidos.
Contudo, também devo destrinchar que venho tendo uma forte impressão que as grandes amizades têm possibilidades de não serem tão longas ou douradoras, e que o abstrato desejado ainda demore um bom tempo pra enaltecer.
Quanto às condições, o amadurecimento e a compreensão vou obtendo com o tempo, todavia ontem à noite essa inquietude avassaladora me fez dormir sob o efeito de lágrimas enquanto, a chuva me trazia uma dúbia nostalgia.
Entretanto, o repentino entristecer continua a invadir meu estado próprio. Sem aviso prévio, seja no entardecer ou anoitecer. Simplesmente chega. E tudo muda. Muda é a minha dor interna. Assim como a moradia ultra-coletiva grita num silêncio mortal. Eu quero gritar por liberdade, por justiça. Gritos espaçados, mudos, silenciosos.
Mas, é nesse ponto que caio no inseguro e constante meio-termo e, por vezes, deixo que a monotonia e desânimo me atrapalhem. Minhas entranhas sangram cuidadosamente e meus músculos visíveis mostram o preço.
Confesso que venho me relacionando bem com o norte e o leste, que venho gostando de calma e atitude. Companhia e solidão. Amigos e desconhecidos.
Contudo, também devo destrinchar que venho tendo uma forte impressão que as grandes amizades têm possibilidades de não serem tão longas ou douradoras, e que o abstrato desejado ainda demore um bom tempo pra enaltecer.
Quanto às condições, o amadurecimento e a compreensão vou obtendo com o tempo, todavia ontem à noite essa inquietude avassaladora me fez dormir sob o efeito de lágrimas enquanto, a chuva me trazia uma dúbia nostalgia.
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